Odontopediatria

Bruxismo em crianças: quando é fase e quando é sinal de alerta

Dr. Newton de Morais08 de setembro de 20262 min de leitura
Criança dormindo, tema relacionado a bruxismo infantil

Ouvir o próprio filho rangendo os dentes durante a noite costuma preocupar bastante os pais, e é justo. Mas vale saber que o bruxismo infantil é bem mais comum do que se imagina e, na maioria dos casos, faz parte do processo natural de desenvolvimento, sem indicar nenhum problema sério.

Por que crianças rangem os dentes

O bruxismo na infância costuma estar relacionado a alguns fatores típicos dessa fase:

Troca de dentes. Durante a erupção dos dentes permanentes, é comum a criança ranger os dentes como uma forma inconsciente de "testar" o novo encaixe da mordida, que ainda está se ajustando.

Desenvolvimento do sistema nervoso. O sono infantil ainda está amadurecendo, e episódios de bruxismo costumam estar ligados a fases mais leves do sono, sem necessariamente indicar tensão ou ansiedade.

Processamento de experiências do dia. Assim como em adultos, o estresse pode ser um gatilho, mas em crianças ele costuma estar ligado a situações comuns da rotina, como início na escola, mudanças de ambiente ou excesso de estímulo antes de dormir, não necessariamente a algo preocupante.

Quando o bruxismo costuma ser apenas uma fase

Na maioria dos casos, o bruxismo infantil:

  • aparece de forma intermitente, indo e voltando ao longo dos meses;

  • não vem acompanhado de dor relatada pela criança;

  • não causa desgaste severo nos dentes de leite;

  • tende a diminuir conforme a criança cresce e a dentição permanente se estabelece.

Nesse cenário, a conduta costuma ser observação, com acompanhamento nas consultas de rotina, sem necessidade de intervenção imediata.

Sinais que merecem mais atenção

Alguns sinais indicam que vale conversar com o dentista com mais atenção ao caso:

  • desgaste visível e progressivo nos dentes de leite, achatando as pontas;

  • a criança relata dor na mandíbula ou no rosto ao acordar;

  • dor de cabeça frequente, especialmente pela manhã;

  • dificuldade para abrir bem a boca ou sons de estalo na mandíbula;

  • sono agitado, com despertares frequentes, ronco ou respiração pela boca durante a noite.

Esse último ponto merece destaque: em alguns casos, o bruxismo infantil está associado a alterações respiratórias durante o sono, incluindo aumento de amígdalas ou adenoide, e não apenas a fatores emocionais ou de desenvolvimento dentário. Quando esse é o cenário, o encaminhamento para avaliação otorrinolaringológica pode ser parte do cuidado.

O que fazer enquanto isso

Não existe necessidade de "tratar" o bruxismo infantil só porque ele aconteceu algumas noites. O acompanhamento nas consultas odontológicas de rotina já inclui observar o desgaste dos dentes e conversar com os pais sobre a frequência e o contexto dos episódios. Rotina de sono tranquila, sem telas antes de dormir e sem excesso de estímulo à noite, também costuma ajudar a reduzir a frequência.

Quando o acompanhamento profissional é indicado

Se o desgaste dentário for progressivo, se a criança relatar dor com frequência ou se houver sinais de alteração respiratória durante o sono, o dentista pode avaliar a necessidade de uma placa específica para crianças (em casos selecionados) e, se necessário, encaminhar para outras especialidades envolvidas, como otorrino ou fonoaudiologia.

Resumo prático

Bruxismo infantil é comum e, na maioria das vezes, passa sozinho com o desenvolvimento da criança. O que muda a conduta é a presença de dor, desgaste progressivo ou sinais de sono agitado, situações em que vale conversar com o dentista antes de assumir que "é só uma fase".

Seu filho range os dentes durante o sono? Vamos avaliar se é apenas uma fase.

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