Extração de Siso

Dente do siso nasceu torto: sempre precisa extrair?

Dr. Newton de Morais20 de outubro de 20262 min de leitura
Radiografia mostrando posição inclinada do dente do siso

Não necessariamente, embora seja essa a primeira reação de muita gente ao ouvir "seu siso está torto". A posição do dente importa muito, mas o que realmente define a necessidade de extração é o conjunto: a direção, o espaço disponível e o impacto sobre os dentes vizinhos.

Nem todo siso "torto" é igual

Existem diferentes graus e direções de inclinação, e cada um representa um risco diferente:

Inclinação leve, com espaço suficiente. Alguns sisos nascem levemente inclinados, mas ainda conseguem erupcionar de forma funcional, sem empurrar o dente ao lado. Nesses casos, muitas vezes o acompanhamento é suficiente.

Inclinação mesial (empurrando o dente da frente). Essa é uma das posições mais comuns de indicar extração, porque o siso pressiona diretamente a raiz do segundo molar, podendo causar reabsorção da raiz desse dente vizinho ao longo do tempo, mesmo sem dor.

Posição horizontal. Quando o siso está completamente deitado dentro do osso, sem chance real de erupcionar corretamente, a extração costuma ser indicada, já que o dente tende a permanecer incluso e pode formar cistos ou infecções ao redor.

Inclinação distal (para trás). Mais rara, mas também costuma indicar extração, já que dificilmente esse posicionamento permite uma erupção funcional.

Por que a posição pressionando o dente vizinho preocupa mais

O segundo molar (o dente logo na frente do siso) não foi projetado para receber pressão lateral constante. Quando o siso empurra essa raiz ao longo dos anos, o desgaste pode ser silencioso, sem dor, e só aparece numa radiografia. Esse é um dos motivos pelos quais a avaliação de imagem é tão importante antes de decidir observar ou extrair: o "olho nu" não mostra esse tipo de dano em andamento.

Quando dá para só acompanhar

Quando o siso está inclinado, mas sem contato direto com o dente vizinho, com espaço razoável na arcada e sem sinais de risco na radiografia (como saco pericoronário aumentado ou início de reabsorção), o acompanhamento periódico costuma ser uma conduta segura. Isso significa radiografias de controle, geralmente a cada um a dois anos, para verificar se a situação se mantém estável.

O espaço na arcada também entra na conta

Mesmo um siso levemente torto pode não ter espaço suficiente para erupcionar completamente, ficando parcialmente coberto pela gengiva. Essa condição, chamada de erupção parcial, cria um ambiente propício para acúmulo de resíduos e inflamação recorrente (pericoronarite), já que a região fica difícil de higienizar direito. Nesse cenário, mesmo sem uma inclinação severa, a extração costuma ser recomendada para evitar infecções repetidas.

A decisão final depende do exame, não só da inclinação

Um siso pode parecer "torto" na visão leiga de uma radiografia panorâmica e, na prática clínica detalhada, não representar risco relevante. O oposto também acontece: uma inclinação discreta pode já estar causando dano silencioso ao dente vizinho. Por isso, essa decisão deve sempre passar por avaliação profissional com exame de imagem, e não por comparação com o caso de outra pessoa ou por impressão visual isolada.

Resumo prático

Siso torto não é sinônimo automático de extração, mas também não deve ser ignorado sem avaliação. O que define a conduta é a posição exata, o espaço disponível e o risco para o dente vizinho, informações que só uma radiografia detalhada, e às vezes uma tomografia, conseguem mostrar com precisão.

Quer saber se o seu siso torto precisa ser removido? Agende uma avaliação com exame de imagem.

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